Abordagem
Aprendizagem interdisciplinar
Os problemas reais não vêm organizados por disciplinas. As universidades mais inovadoras também não.

O que é a aprendizagem interdisciplinar?
A aprendizagem interdisciplinar integra conceitos, métodos e perspectivas de várias disciplinas para compreender ou resolver um problema que nenhuma delas conseguiria abordar sozinha, produzindo uma compreensão nova que vai além da soma das partes.
Justapor disciplinas não é o mesmo que integrá-las. Em uma abordagem multidisciplinar, cada disciplina contribui com seu olhar separadamente; em uma interdisciplinar, os olhares se combinam; em uma transdisciplinar, incorpora-se também o conhecimento de atores não acadêmicos — comunidades, profissionais, usuários — para cocriar soluções.
Por isso, a interdisciplinaridade é a condição de base da aprendizagem baseada em desafios e em projetos: sem ela, o desafio se fragmenta em pedaços de disciplina e perde o sentido.
Multi, inter e transdisciplinaridade
Multidisciplinar
Várias disciplinas estudam o mesmo tema em paralelo, sem integrar métodos nem conclusões.
Interdisciplinar
As disciplinas dialogam e integram conceitos e métodos para produzir uma compreensão comum.
Transdisciplinar
As fronteiras acadêmicas são transcendidas e o conhecimento não acadêmico é incorporado para cocriar soluções com a sociedade.
Como se desenha um currículo interdisciplinar
As universidades do diretório não começam pelas disciplinas, mas pelo que o estudante deve ser capaz de fazer.
1. Começar pelo perfil do egresso
Definir as capacidades que a pessoa deve demonstrar ao se formar e derivar daí a arquitetura da matriz curricular.
- Capacidades e hábitos de pensamento
- Problemas típicos da área
- Evidências esperadas
2. Organizar o currículo por problemas
Construir blocos em torno de problemas complexos que exigem combinar disciplinas.
- Problemas e desafios estruturantes
- Módulos integrados
- Métodos de várias disciplinas
3. Equipes docentes e espaços integrados
Docentes de diferentes áreas que desenham e avaliam juntos, em espaços e horários flexíveis.
- Codocência
- Blocos longos de tempo
- Espaços de projeto
Método de referência
O método BeChallenge: uma arquitetura para a aprendizagem experiencial
A BeChallenge é um ecossistema de aprendizagem experiencial nascido em Barcelona em 2017 que combina metodologia, tecnologia e acompanhamento especializado para que universidades e escolas implantem e escalem a aprendizagem baseada em desafios, em projetos, em casos, a aprendizagem-serviço e os hackathons.
Seu ponto de partida é que um método não é uma lista de atividades, mas a estrutura invisível que as sustenta. Por isso, o método BeChallenge não é uma sequência rígida: é uma arquitetura com invariantes que se adapta a cada instituição.
Os quatro pilares
Investigar
Indagar antes de opinar: cada estudante explora o problema individualmente e chega à equipe com seu próprio ponto de vista.
Conectar
Pensamento sistêmico: ver o sistema e não só as partes, antecipar consequências e desenhar soluções que considerem o todo.
Cocriar
Colaboração que deixa rastro: cada contribuição para a equipe é visível e rastreável.
Avaliar
Da nota ao desenvolvimento: avaliação 360° contínua — autoavaliação, pares, docentes e atores externos — transformada em evidência.
As sete fases de referência
- 1
Descobrir
Descoberta individual antes de formar a equipe: assim desaparecem os «caronas».
- 2
Equipe
Equipes com perspectivas já construídas, papéis e compromissos.
- 3
Idear
Empatia com quem vive o problema e cocriação de soluções.
- 4
Feedback
Docentes e atores externos entram enquanto o rumo ainda pode mudar.
- 5
Prototipar
As ideias se tornam tangíveis, são testadas e comunicadas.
- 6
Votação
As soluções são apresentadas e selecionadas com critérios transparentes.
- 7
Avaliar
Fechamento 360° das competências e da própria experiência, transformado em evidência do perfil do egresso.
O método é elástico: 7, 5 ou 3 fases com a mesma arquitetura. Cada fase termina com metacognição (o que aprendi e como?) e avaliação (que evidência deixo?), de modo que a aprendizagem se consolida durante o processo e não é examinada só no final.
Apoia-se no ciclo de aprendizagem experiencial de Kolb, no aprender fazendo de Dewey, no construtivismo social de Vygotsky, no design thinking, no pensamento sistêmico, na metacognição e na avaliação orientada ao desenvolvimento.
Transparência: Xavi Pascual, autor do Challenger Universities, é fundador da BeChallenge.
Universidades com um modelo interdisciplinar
Instituições do diretório em que a integração de disciplinas é estrutural:
Minerva University
Um primeiro ano de cursos fundamentais focados em hábitos de pensamento transferíveis, aplicados depois a qualquer área.
Ver perfilLIS – London Interdisciplinary School
A primeira graduação totalmente interdisciplinar do Reino Unido, organizada em torno de problemas complexos e métodos de várias disciplinas.
Ver perfilAfrican Leadership University
Missões em vez de cursos: os grandes desafios do continente organizam a aprendizagem.
Ver perfilDeep Springs College
Combina estudos acadêmicos, trabalho no rancho e autogoverno em uma experiência formativa integral.
Ver perfilKaosPilot
Integra empreendedorismo, liderança, design e projetos criativos em um mesmo percurso.
Ver perfilO que o estudante ganha
Pensamento sistêmico
Capacidade de ver relações, consequências e escolhas entre fatores técnicos, sociais e éticos.
Adaptabilidade
Ferramentas transferíveis para transitar entre áreas e trabalhos que ainda não existem.
Pensamento crítico
Contrastar perspectivas e métodos evita respostas simplistas.
Perfil diferenciado
Profissionais capazes de traduzir entre especialistas, muito valorizados pelas organizações.
Erros frequentes
Interdisciplinaridade cosmética
Colocar duas disciplinas no mesmo horário não é integrá-las.
Superficialidade
Sem profundidade disciplinar, a integração fica no nível da opinião. Cada método exige rigor.
Avaliação por disciplinas
Se cada docente avalia sua parte separadamente, o estudante volta a fragmentar o problema.
Como dar o passo na sua instituição
Desenhar cursos interdisciplinares exige decisões de arquitetura curricular:
- 1Definir o perfil do egresso antes da lista de disciplinas.
- 2Identificar os problemas estruturantes da área profissional.
- 3Criar equipes docentes interdepartamentais com tempo para desenhar juntas.
- 4Avaliar evidências integradas em vez de notas por disciplina.
- 5Acordar com a gestão como se reconhecem créditos e cargas docentes compartilhadas.
Perguntas frequentes sobre a aprendizagem interdisciplinar
Qual é a diferença entre interdisciplinar e transdisciplinar?
O interdisciplinar integra várias disciplinas acadêmicas. O transdisciplinar vai além e incorpora o conhecimento de atores não acadêmicos para cocriar soluções com a sociedade.
Um curso interdisciplinar é menos rigoroso?
Não necessariamente. As boas propostas combinam profundidade nos métodos disciplinares com a capacidade de integrá-los. A superficialidade aparece quando se sacrificam as duas coisas.
Como começar a desenhar um curso interdisciplinar?
Pelo perfil do egresso e pelos problemas que a pessoa formada precisará enfrentar, não pelas disciplinas existentes. Xavi Pascual explica essa abordagem em seu artigo sobre o desenho de cursos interdisciplinares.
Está desenhando um curso interdisciplinar?
Xavi Pascual acompanha o desenho de novos cursos começando pelo perfil, não pelas disciplinas. Mande uma mensagem pelo WhatsApp.
Resposta pessoal de Xavi Pascual, normalmente em até um dia útil.